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21/04/2003 21:28


Dois motivos para se ver "O Desprezo", de Jean-Luc Godard (em cópia "restaurada", nos cinemas de Sampa): 1) O mais fútil, para ver a Brigite Bardot pelada. 2) O mais instigante, para apreciar um filme metalinguístico, tão literário quanto Godard costuma ser, e que complementa "Fellini 8/2" e "A Noite Americana".

Fui ler as críticas brazucas a respeito do filme. Para ver se poderia obter mais informações sobre Godard, sobre Alberto Moravia (o filme é uma adaptação de um livro deste autor), sobre os bastidores das filmagens, algo desse nível. Mas tudo o que li foi elogio à boa forma de Brigitte Bardot, de quão lamentável ela está hoje, de que ela era linda, de que o filme vale a pena por ela...Juro, meus amigos: quase chorei. Não por discordar dos críticos nesse quesito. Mas porque a futilidade os impediu, quase que na unanimidade, de escrever algo mais profundo sobre um filme importante da historiografia do cinema. Tudo bem que Godard abusou da nudez da moça, mas este, a meu ver, é um pecado menor. (Aliás, já notaram como todas as mulheres são jovens e belas no mundo verborrágico de Godard?)

Godard, em "O Desprezo", se destaca pela sua visão crítica a respeito dos bastidores da indústria cinematográfica, de suas observações sobre o amor, de seu "desprezo" pela futilidade dos americanos (o que podemos também observar em "Elogio ao Amor", seu filme mais recente, nas melhores locadoras), as citações eruditas de Fritz Lang (que faz uma participação especialíssima)... Enfim, havia tanto a se discutir sobre este filme tão belo, e tão pouco se extrai das críticas dos principais jornalistas deste país! Credo!
Minha única esperança é a Internet. Vou fuçar em alguns sites sobre cinema, quem sabe eu ainda consiga achar algo que preste sobre este filme...

enviada por Ana Bolena






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