19/10/2002 03:04
Todo blog deve ter uma lista, certo ? Então, para não fugir à regra, listo a seguir os meus livros preferidos. Vocês terão acesso ao meu "verniz" cultural... A lista não é maior e menos óbvia porque sou uma leitora medíocre e lenta. Priorizo navegar na Internet a terminar minhas leituras, o que as torna picadinhas, muito espaçadas no tempo. Faltam disciplina e um verdadeiro amor ao papel, tipo o José Mindlin.
Será que foi falha da minha iniciação literária ? Vejo o que aconteceu com tantos escritores brasileiros: eram viciados em Monteiro Lobato. Eu também era, mas no seriado da Globo (o antigo, claro). Minha pretensão não seria chegar a ser uma escritora, mas creio que com uma boa dose de Monteiro Lobato na veia eu me tornaria ao menos uma leitora mais razoável.
Dia desses fiz uma boa tentativa para melhorar minha performance leiturística estabelecendo uma meta rígida: um livro por semana. Mas já na primeira semana minha meta foi pro saco: a preguiça imperou. Rendi-me à minha natureza indolente e voltei à indisciplina habitual. Portanto, a lista que se segue foi fruto de um trabalho árduo - não porque a leitura destes livros não me era agradável, mas pelo tempo que levou para que estas leituras se efetivassem.
"Orgulho e Preconceito" de Jane Austen - Elisabeth Bennett, a protagonista, não é mais bonita que suas irmãs, mas conquista o misantropo (e ricaço) Mr. Darcy graças à inteligência e a coragem em desafiar as convenções da elite de sua época. Embora a autora ainda veja o casamento como a salvação para todos os males, ao menos a mulherada dos seus livros "vence" na vida pelos seus dotes intelectuais!
"As consolações da Filosofia" de Alain de Botton
(ou melhor, todos os do Allain de Botton) - menino inteligente este aí. Traz as proposições filosóficas para o cotidiano com um estilo inteligente e simples (não confunda com simplório, por favor, que desse mal já sofrem muitos dos compêndios de história da filosofia brazucas). Li algumas críticas dizendo que ele banaliza a filosofia. Não concordo. Creio que seus livros são uma introdução moderna e bem humorada aos grandes pensadores. Auto-ajuda realmente eficiente!
"As minhas Universidades" de Górki - Para quê universidade se você tem um gênio como o de Górki (o "amargo")?
"O Retrato de Dorian Gray" de Oscar Wilde - Depois deste livro, toda vez que eu faço alguma coisa errada corro pro espelho para ver se eu estou ficando mais feia...
"O Morro dos Ventos Uivantes" de Emily Brontë - O que me assustou neste livro foi a obstinação de Heathcliff em arrasar com os Earnshaw até a segunda geração. Tudo por causa de uma chata inconseqüente como a Cathy. A música da Kate Bush, aquele clássico do pop, é a trilha perfeita para aquela cena em que as mãos geladas do fantasma desgarrado de Cathy puxam as do Sr. Lockwood para fora da janela, pedindo para entrar na casa. Garantia de arrepios na espinha!
"A Laranja Mecânica" de Anthony Bugress - o filme é 10, mas o livro é melhor ainda. A ultra-violencia de Alex é elevada ao cubo (se levarmos em conta que o Alex do livro tem só 15 anos...)
"2001 Uma Odisséia no Espaço" de Arthur Clarke - só li por causa do filme (ou melhor, PARA ENTENDER o filme...) Mas a história é boa, e passei a ler outras coisas deste autor. Um visionário!
"O Estrangeiro" de Albert Camus - quem era o mais absurdo? O protagonista, que não conseguia se envolver emocionalmente com nada nem com ninguém, ou a sociedade que o condena à morte baseada em nossas noções de moral puramente arbitrárias?
O enredo deste livro me faz lembrar uma frase de Paulo Francis: "Passamos a maior parte de nossa vida representando o que não sentimos. Sem hipocrisia, claro, não haveria civilização."
"Orlando" de Virginia Woolf
"Dom Casmurro" de Machado de Assis
A Trilogia Tebana: "Edipo Rei", "Édipo em Colono" e "Antígona" de Sófocles - obras que merecem um post especial, aguardem!
"Hamlet" de Shakespeare) (demorei ANOS para aprender a escrever Shakespeare sem consultar o dicionário...) - Só entendi a fundo as motivações e angústias dos suicidas quando me vi na pele de Hamlet.
(Assista também a versão cinematográfica do Keneth Branagh - texto completo, quatro horas de duração, com a Kate Winslet - perfeita! - fazendo o papel de Ofélia.)
enviada por Ana Bolena
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