!!! Bocado de Arte !!!


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27/04/2004 23:41
notas - notas - notas - notas

*Amigos!
Que tristeza! Onde vamos parar? A Internet não tem mesmo ética!
Já não posso mas postar aqui se não pagar 14 mangos todo mês para o IG (que eles, hipocritamente, chamam de "Internet Grátis"!). Logo vão tirar esse Bocado de Arte do ar, como já tiraram os blogs de tanta gente boa por aí...
Embora eu já tenha casa nova (http://bocadodearte.zip.net/), eu não pretendia abandonar o meu velho lar assim tão cedo. Eu gostava muitíssimo do IG, só me queixava da falta de algumas bobagenzinhas. É a força da grana destruindo nossa passagem pela Internet, nossos contatos, nosso desejo de perpetuar alguma coisa nessa vida, o registro das amizades que fizemos por aqui... well, c'est la vie! (suspiro...). De qualquer forma, dêem uma passadinha lá no meu blog do UOL, para conferir os posts bissextos que continuarei escrevendo. Mantenham contato!
Um abração!
Ana Bolena

* O IG não me permite colocar links de sites aí ao lado, então eu fiz uma página meia-boca no UOL só para isso. Lá vocês encontrarão muitas imagens para fazer aquele "recorta-cola" legal (com as devidas legendas), além de dicas de sites e blogs testados e aprovados. Tudo pela interação com o mundo da arte.

* Meus parabéns para a Ana da "Estante Mágica", que está lançando este bonito livro . Já tive o privilégio de ler em primeira mão alguns de seus trabalhos, e garanto que o que essa mulher escreve é literatura de prima! Supra-sumo da literatura "fantasy"! Não há como não se apaixonar pelos seus personagens e pelas suas estórias cativantes!!! Quem gostou do universo do "Senhor dos Anéis", vai amar os contos desse "O caçador". Quem for do Rio, tem o DEVER de ir nos rega-bofes do lançamento. E a Ana tem o DEVER de vir para São Paulo para a gente tomar um prosecco juntas!

* É impressão minha, ou o que há de melhor no cinema atual vem dos países francófonos? Além do "Invasões Bárbaras", estão em cartaz os excelentes "Ser e Ter" e "As Bicicletas de Belleville", que me confirmam essa sensação de superioridade criativa do povo que faz biquinho.

enviada por Ana Bolena



15/04/2004 22:59


Qual o mundo que virá desses dias de fim das utopias esquerdistas (e de qualquer utopia)? O pragmatismo e a “força da grana” dominarão sem pudores as relações humanas? Qual será o nosso referencial de família? O que surgirá dessa situação ambivalente dos EUA após a demonstração de vulnerabilidade que foi o 11 de setembro? Qual o papel reservado à religião?

Enquanto as ciências sociais ainda tentam responder a estas questões e formulam teorias a respeito desses tempos nebulosos, a arte, como sempre, já se adiantou a respeito. O "espírito" desse início do século 21 já teria a sua mais completa tradução na obra do canadense Dennis Arcand, “As Invasões Bárbaras”! Exagero? Não creio. Há muito tempo que um filme não me fazia pensar tanto a respeito de problemas atuais. Ao final da sessão passei a gestar inúmeras questões de cunho filosófico sobre essa era de incertezas que vivemos, questões essas do mesmo naipe das que abrem este post.

Além disso, outros motivos tornaram esse filme digno de culto: ele faz uma homenagem explícita ao Saber, através dos diálogos dos personagens (quase todos professores universitários) e do final redentor da personagem de Marie-Josée Croze; ele escracha total com os americanos, com cenas de rolar de rir; ele foi o responsável pelo fim do meu jejum de catarses.
Sim, este é um filme inteligente e sentimentalóide, embora ese tipo de associação não seja lá muito bem visto. Para nós, filme de arte costuma ser filme sério e isento. Não é o caso de "Invasões Bárbaras". Aqui temos cenas tristes, pungentes e cuidadosamente montadas para fazer você chorar em cântaros após o fim da sessão. Foi covardia do diretor colocar uma música lindíssima de Françoise Hardy na cena final e nos créditos. Quando me dei conta, estava fungando e enxugando as lágrimas juntamente com quase todo mundo da sala. A voz suave e melancólica dessa cantora é de matar. Aposto como teve gente que assim que chegou em casa foi correndo no "Kaazaa" para baixar a canção (tipo nóis aqui...). Para quem quer conhecer a letra, é só acessar o blog da nossa amiga Alma.

O fã-clube de "Invasões" também conta com a francófila Flávia Ballvé. Leiam este post emocionante dos arquivos do seu "Tonterias". Para chorar mais um pouco.

enviada por Ana Bolena



15/04/2004 20:06


Nenhum post há mais de mês!!!
Teria Ana Bolena finalmente perdido a cabeça?

enviada por Ana Bolena



13/03/2004 00:36


Clima deprê para o meu retorno...
Essas bombas em Madri me deixaram fora dos eixos!
Recomendo um acesso ao "Museu do Prado", para nos lembrarmos do poder da arte contra a barbárie. Diante de Velázquez, voltamos a ter esperanças de que um dia a humanidade se volte para ideais mais nobres.

enviada por Ana Bolena



02/02/2004 22:54
Almas boas e caridosas, conhecedoras de HTML, gambiarras cibernéticas e assuntos afins... Respondam a esta pobre desatualizada:
1) Como é que eu faço para colocar na lista aí do lado os blogs que não são do IG???
2) Como é que eu tiro esse bonequinho ridículo do cabeçalho e coloco uma figura decente no lugar???
Agradeço antecipadamente a honra de poder contar com vossas colaborações!
PS: Eu não pago o tal do Blig Turbo...e aí, mesmo assim tem jeito?

enviada por Ana Bolena



18/01/2004 00:30
Ah!!! Como é delicioso ficar em casa moscando o dia inteiro na Internet, lendo e-mails, conversando com meus amigos virtuais, pesquisando no Google as coisas que me interessam nesse mundo...
Creio que nossas melhores idéias vêm destes momentos de preguiça ativa, onde o único objetivo consiste em aprender se divertindo!
Como meus instantes de "ócio criativo" são assim, tão raros, é que as mensagens desse blog são assim também, tão bissextas...
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Ultimamente minhas leituras têm se dado no transporte público e nas filas da vida, graças aos famosos livros de bolso. O bom deste tipo de livrinho é que você não terá remorsos se a capa amassar ou se as folhas ficarem com orelhas, porque eles foram feitos para isso mesmo. Para serem ultra-manuseados. As nossas edições de luxo ficam lá, enfeitando as estantes. As de bolso ficam sendo nossas companheiras. Onde quer que estejamos, o tédio não se instalará enquanto estivermos armados com esses poderosos transmissores de diversão e conhecimento. Dez estações de metrô a percorrer? Não se desespere. Saque um livrinho da bolsa e transfira-se para mares nunca dantes navegados, para além do Bojador, para a Terra do Nunca, para o Mundo de Oz, para Paris do século retrasado, para a Atenas de Péricles... tudo com a companhia agradabilíssima dos personagens clássicos da literatura. Garanto que o motivo dos seus padecimentos deixará de ser o sacolejar do trem!
O vício é tanto que chego a ter mais de um livrinho na bolsa. Um deles se adequará à instabilidade do meu humor e dos meus interesses. E nessas estradas da vida já li muita coisa boa, de alguns clássicos do teatro grego a Millôr, passando por Shakespeare, Fernando Pessoa e Virgínia Woolf. Foi só acionar meu poder de concentração, onde nada à minha volta consegue me distrair de tão nobre tarefa, e me deleitar com as histórias e o estilo refinado destes escritores maravilhosos. Chego no meu destino renovada e feliz, um pouco mais integrada à arte e à cultura.
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Os últimos tempos têm sido propícios aos livrinhos de bolso. As bancas de Sampa estão repletas dos títulos da "L&M Pocket" e da "Martin Claret", com grandes clássicos da literatura brasileira e universal, ambos por um preço até que razoável. Temos também algumas livrarias da região da Paulista, como a "Belas Artes", onde se encontram títulos de bolso da "Ediouro" e da Editora "Paz e Terra" por até R$1,00! (Andei aumentando minha biblioteca liliputiana por lá).
E depois de adquirir o seu exemplar, é só enfiá-lo na bolsa, e rezar para que mais adiante lhe apareça uma fila de banco quilométrica para enfrentar, ou para que seu busão demore horrores pra chegar no ponto!
enviada por Ana Bolena



16/01/2004 23:38
É por essas e outras que eu leio o "No Mínimo" todos os dias !!!

enviada por Ana Bolena



04/01/2004 20:47
Bem amigos do "Bocado de Arte"...
Agora que as festas terminaram e o teor alcoólico do meu sangue diminuiu, podemos finalmente postar algo legível.
A propósito, vamos abrir este post desejando um feliz Ano Novo para todos! E recomendando: aproveitem ao máximo os eventos culturais de 2004! Nada de assistir “Gugu” no domingo, que a cidade oferece muita arte de graça. Depois apareçam por aqui para dar dicas e trocar idéias sobre o que vocês viram, leram e assistiram, que a missivista agradece e fomenta o diálogo!

2004 começa neste blog com um presentinho: coloquei algumas figuras aí ao lado, roubadas do ciberespaço. Tudo para que vocês, movidos pela curiosidade ante imagens tão belas, possam conhecer melhor as obras dos meus artistas preferidos! O problema é que eu não consigo colocar os títulos logo depois das imagens, que meu conhecimento de HTML é nulo. Resolvi, então, postar as legendas a seguir, juntamente com alguns links interessantes e observações pessoais sobre estes trabalhos.

1) A seleção começa com um detalhe da figura de Uta, que está no coro da Catedral de Naumburgo, na Alemanha. A obra é de cerca de 1260, e o seu autor, infelizmente, é desconhecido. (Nos livros de história da arte vocês encontrarão Uta fazendo par com Ekkehart II, seu esposo, outro dos donatários da Catedral que mereceram ser retratados por este grande artista.)
Escolhi este trabalho para provar a vocês que, definitivamente, Idade Média não é sinônimo de "Idade das Trevas". Ao contrário, esta época da cultura européia nos legou artistas de grande refinamento e capacidade técnica, como nos comprova este exemplo. Impossível não deixar de se maravilhar com a destreza deste escultor em traduzir para a pedra toda a fragilidade inerente à condição humana. Observem como sensações tão díspares como angústia e esperança estão presentes na delicadeza do rosto desta dama medieval, que fita o horizonte como que antevendo o futuro. Um futuro que provavelmente lhe reservou vicissitudes e grandes transformações, assim como a toda Europa desta época.

2) A segunda ilustração é um detalhe do auto-retrato de Artemisia Gentileschi, uma das raras mulheres a figurar no panteão das grandes artistas da história da arte ocidental. Chama-se “Auto-retrato como alegoria da pintura”, e foi produzido na década de 1630.
O que eu aprecio neste quadro é o modo despretensioso e ao mesmo tempo cheio de orgulho e dignidade com que Artemísia registrou seu ofício. É um quadro de grande vigor, como a maior parte dos trabalhos desta maravilhosa artista influenciada por Caravaggio. Procurem pelas suas famosas cenas do episódio bíblico de Judite matando Holofernes (a obsessão de Artemísia por este tema é explicado por um episódio triste de sua biografia). Confiram também os trabalhos do pai de Artemísia, Orazio Gentileschi, que por incrível que possa parecer, tem trabalhos mais “delicados” que os da filha...

3) Jean-Auguste Dominique Ingres...A missivista tirou a sorte grande e teve inúmeras obras deste artista a milímetros de seus olhos fascinados. Esta terceira figura é da obra “Tétis e Júpiter”, de 1811. Acho que mesmo nesta ilustração de tamanho miserável é possível visualizar a organização límpida da composição de Ingres, e uma das suas famosas figuras brancas e longilíneas de mulher.
A cena de “Tétis e Júpiter” tem por inspiração um episódio narrado na Ilíada, de Homero, quando a deusa roga ao seu amante que interceda a favor do seu filho, o semi-deus Aquiles, em uma disputa com o general Agamenon na famosa Guerra de Tróia. De se notar a beleza marmórea e estranha das suas personagens.
Neste link é possível acessar um esboço do artista e observar a qualidade e a precisão do seu desenho - Ingres era extremamente meticuloso na confecção de seus quadros, tanto no traço quanto no colorido a óleo.
Adendo: mesmo com o ingresso do MASP a absurdos dez contos, recomendo uma visita ao acervo para que vocês também possam se maravilhar pessoalmente com Ingres e sua "Angelica acorrentada", de 1849.

4) A arte moderna deve às gravuras japonesas muito da sua razão de ser. Foi a riqueza de efeitos visuais obtida com concisão de traços e cores, observáveis nesta “Grande Onda”, gravura do artista Hokusai, que abriram os olhos dos artistas europeus para novas formas de se conceber a pintura. A arte deixa de tentar “imitar a natureza” para explorar as possibilidades de seus próprios elementos: a cor e a linha.
O furor do movimento desta onda e as terminações de espuma semelhante a garras captam o navegante-espectador para as profundezas sinuosas desse desenho elegante e vigoroso.

5) Rigor, ordem, cores puras – estes são os elementos com os quais Mondrian cria seu mundo de equilíbrio. Tudo a custa de muita disciplina, de uma busca incansável, quase mística, pela justaposição perfeita e pela composição “correta”. Esta “Composição em vermelho, amarelo e azul”, com a sua simplicidade de formas e complexidade conceitual, me apascenta o olhar e faz pensar sobre a infinidade de possibilidades de que a pintura é capaz.

6) Não poderia deixar de colocar um Anish Kapoor na minha seleção (no caso, a obra “Vazio”, de 1994). Este artista de origem indiana apresenta um trabalho atraente e intrigante, que cria verdadeiros portais para mundos de formas regulares, cores puras, volume e textura. Ou então para contrastes belos e harmônicos da pedra bruta com entalhes geométricos precisos. Resumindo: sabem aquelas esculturas que dão vontade de pôr a mão, entrar, abraçar, estas coisas? Isto é Anish Kapoor.
E aqui vai uma sugestão de leitura: Acessem este artigo com trechos de uma palestra de Agnaldo Farias relatando sua experiência fascinante com Anish Kapoor na Documenta de Kassel. Semelhante à que a missivista teve na Bienal Internacional de São Paulo de 1996. Aliás, a Bienal bem que podia trazê-lo de volta. Faria uma fã feliz!

enviada por Ana Bolena



24/12/2003 20:22


Micro-textos de fim de ano

Amigos!
Que neste 25 de dezembro vocês possam se esbaldar, comer, beber, rir, se divertir, ganhar muitos presentes e voltar aos tempos de criança, que vocês merecem! Mas não se esqueçam de dar um abraço apertado naqueles que lhe são caros, que Natal é época disso também!

***

Se vocês não chegam neste blog através do Estante Mágica, parem imediatamente de ler isso aqui, cliquem no link acima para acessar o texto de 22/12 da gloriosa Ana e saibam o porquê do Natal ser em dezembro, sobre a origem do Papai Noel e outras coisitas mais sobre esta data tão especial, tudo através de um texto didático e gostoso de se ler!
(PS: Observadores de plantão vão dizer: Marmelada! Ela faz propaganda do "Estante" só para ganhar o Black Cocada Award...Né isso não, minha gente. É que o ciberespaço proporciona muitos contatos felizes, com pessoas inteligentes e bacanas, e 2003 foi pródigo neste sentido. Comigo é assim: para os amigos, tudo!!!!

***

Creio que para os que prezam a união familiar, a pior coisa nesta época do ano seria uma sessão de "Parente é Serpente" de Mario Monicelli. Mas para aqueles que sofrem de ataques de misantropia no Natal (fenômeno mais comum do que se pensa...), recomendo que vejam esta que é uma das melhores comédias, não só italianas, mas da história do cinema! Inteligente e cruel, este filme eleva à décima potência os conflitos latentes no seio de TODAS as famílias deste mundo, sem exceção! Assista preferencialmente ao lado do cunhado.

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Fui na nova FNAC da Paulista e (decepção...) constatei que os defeitos da matriz foram clonados na filial: acervo ridículo de música clássica, caos no setor de DVD e falta de poltronas para que possamos escolher os livros com calma. Por essas e outras, sugiro a campanha "Quero a Ática de volta!!!!". Os franceses podem ser felizes em criar cultura, mas na hora de VENDER cultura perdem feio para a organização brazuca!

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Êba!
Já saiu o último livro do Alain de Botton, meu muso intelectual: "A Arte de Viajar", Ed. Rocco. Comprei, é claro. Para ler no resto de minhas férias, junto com Adelaide Carraro. Ah, e para quem gosta da Adelaide, tem um sebo na Rua Augusta, em frente ao Frans Café do Cjto. Nacional, que tem quase todos os livros dessa grande escritora. Não percam essa oportunidade!

***

Me dei presentinhos de Natal com preços beeeeeem salgados: DVDs dos clássicos "Alphaville" e "Acossado", de Jean-Luc Godard, e a caixa com quatro Jean Cocteau. A brincadeira simplesmente arrombou o orçamento! Pro ano que vem, pedi pro Papai Noel a inauguração de um cine-clube aqui pertinho de casa, que é pra eu não voltar a cair em tentação de forma assim tão insana...

***

E isso é tudo por hoje, pessoal! Aos amigos de URL que fiz este ano, meus sinceros agradecimentos! Aos alérgicos a pó, peço desculpas por não dar nem uma espanadinha neste blog tão abandonado...foi mal aí! Quem sabe se no ano que vem os textos surgem com mais frequência, né! (Putz, foi o que eu prometi no ano passado!!! E não cumpri!!! Foi mal de novo aí!)
E vamos em frente, que atrás vem gente! Um 2004 "duca" para todos!!!

enviada por Ana Bolena



03/12/2003 21:55
Arre, égua!
Chega por hoje!
Agora, só férias! Só ócio! Só na esbórnia!
Passar mais de ano em contato íntimo com a burocracia governamental é de acabar com os nervos de qualquer um!
Agora estarei me dedicando ao que realmente interessa nessa vida: cultura, cultura, cultura!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Quem quiser falar comigo, poderá me encontrar no eixo Av. Paulista-centrão, no escurinho do cinema ou comendo salgadinhos em uma vernissage.
A vida voltou a ser bela!!!!!!

(PS: Gostaria que todos vocês pudessem ter a oportunidade de tirar férias, para compartilharem comigo a alegria deste momento! Afinal, não há felicidade maior do que ter tempo para a reciclagem dos neurônios, para deitar na rede e ler Adelaide Carraro de cabo a rabo, para ver Chaves e Sessão da Tarde sem culpa... Mas a situação desse país está miserável, eu sei. Férias virou artigo de luxo! Me digam se isso não é sinal do fim dos tempos?)

enviada por Ana Bolena



13/11/2003 22:27



Das aberrações dos tempos de escola - I

Esta série poderia começar com a narrativa de algo insólito ocorrido com a própria missivista, já que minha passagem pelo colégio rendeu inúmeros episódios do gênero. Mas ao vasculhar livros didáticos do meu pai, descobri que tudo pode ser pior quando se trata do universo escolar. Diante dos textos que se seguem, vocês irão compreender que fui praticamente obrigada a fazer este post com a transcrição destas "pérolas". Observem a seguir o quanto de preconceito, ignorância e parcialidade os pupilos de antanho tinham que aprender (e ainda debaixo de palmatória!):

Obs.: os pontos-de-interrogação e exclamação em alta quantidade são as manifestações indignadas de quem vos fala.

(1) "Supremacia da Europa - Assim como o gênero humano, a civilização teve o seu berço nos planaltos da Ásia Central(?); porém, mesmo antes da era Cristã, já transportou seu centro para a Europa, que desde então se tornou como que o cérebro do mundo (????). Ainda que lutando contra mil obstáculos, o Europeu sempre adiantou-se na via do progresso; adquiriu domínio notável sobre o oceano; descobriu e civilizou o Novo Mundo e estabeleceu colônias com todos os países do globo. Feliz dele, se reconhecendo-se (sic) o instrumento da Divina Providência(????!!!!), empregando sua influência em dirigir as nações para Aquele a quem só pertencem a glória e o poder."

(2) (...) As villas de São Vicente e de Santo André da Borda do Campo foram as duas primeiras povoações do Brasil.
-Oh, mamãe! Mas a senhora não disse que os indígenas tinham suas aldeias? Então as aldeias dos indígenas não eram povoações?
-São sim, minha filha. Mas os indígenas são atrazados (sic), bárbaros e nós dizemos que são homens sem civilisação (sic). Os portugueses são civilisados (sic).
- Ah, já sei, mamãe! As villas de São Vicente e de Santo André da Borda do Campo foram as duas primeiras povoações civilisadas (sic) do Brasil.
- Isso mesmo, Doutora Sabe-Tudo!!!!


***

- Mamãe! Hoje estou tão triste! A professora mandou-me sentar na escola ao lado de Laura, uma pretinha.
-Por que ficaste triste, Lili?
- Oh, mamãe! Eu gostava mais de sentar-se ao lado de uma menina branca (!!!!!!!!!!!!!!!)
_ Os pretos são bons como nós, Lili (!!!!!!!!!!!!!!!) Eles têm boas qualidades, que os tornam estimados e respeitados (!!!!!!!!!!!!!!)
(...)
(Os escravos) Eles não eram maus. Quando os tratavam bem, affeiçoavam-se aos seus amos e eram muito dedicados (!!!!!!!!!!!).
(...)
Os brasileiros, que sempre foram bons e generosos (!!!!!!!!!!!!) não gostavam de assistir aos horrores da escravatura. Depois de proclamada a independência, trataram de fazer alguma coisa em benefício dos pobres escravos. A Inglaterra interessou-se pelos pretos (!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!) e combinou com o Brasil não permitir que os navios negreiros fossem buscar essa pobre gente na África.
(...)
-Mamãe, a senhora me dá licença para eu levar a minha boneca de louça à escola, para dal-a de presente à Laura? Coitadinha! Eu não sabia que ella era tão infeliz! (!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!)
- Oh, filha! Deus te conserve sempre assim, boa e generosa!



(N.T. - Nota da "transcritora": Chega a ser surreal se deparar com tanta porcaria! Mas não poderia deixar de fazer alguns comentários: Quanto ao primeiro texto, aquilo não é de um livro de religião, é de um livro de geografia para alunos do primário (!). Data de 1940. Para que vocês tenham noção da deformidade que este livro causou em meu pai, basta contar a vocês que o velho, de vez em quando, emitia opiniões a respeito da situação do mundo nestes mesmos moldes eurocentristas e preconceituosos. Como se nenhuma outra parte deste globo tivesse contribuído para que os europeus pudessem "conquistar" o que conquistaram, como se em nome de Deus se pudesse saquear e dizimar milhões de pessoas e "colonizar" o Novo Mundo, como se "progresso" fosse aquilo que foi trazido ao Brasil ou à África...
E quanto aos textos n○ 2, considero uma mostruosidade a forma como estes livros faziam com que as crianças cultivassem a hipocrisia e o racismo "velado". Como é que a formação desses educadores conseguia ser tão tacanha, simplista, obtusa, sem embasamento? Não consigo acreditar que o meu pai "aprendeu" história e geografia desse jeito. Só posso lamentar pelas crianças de sua geração...

E esta série não acaba por aqui. Breve postarei outras excrescências escolares, algumas bem mais recentes. Se vocês se depararam com "livros-aberração" desse quilate nos bancos escolares, conte sua história acessando os comentários!

(1) “Geografia Atlas” – Editora FTD – 1940
(2) “Pequenas Lições de História Pátria” Autor: José Scarameli – Editora Brasileira - 1938

enviada por Ana Bolena



09/11/2003 00:44


Para não dizerem que a cultura popular não pisa por aqui, a missivista se adianta e recomenda: bom mesmo é fazer uma flanerie pelo centrão de Sampa e se deparar com um autêntico DESAFIO DE EMBOLADA! Entre na roda e dispute lugar a tapa com aquele povo todo para ouvir aquelas coisas pra lá de engraçadas (e politicamente incorretas, sou obrigada a dizer...) ao ritmo de um pandeirinho bem tirado! É tudo de bom!
Para quem não mora pros lados da Sé e não tem a chance de ver as apresentações memoráveis que de vez em quando surgem por estas calçadas, é só adquirir o CD da dupla "Caju e Castanha" (fotinha acima) nas Lojas Americanas por apenas R$9 mangos, e também partir pra risada. Destaque para o clássico "Futebol no Inferno", onde o time de Lampião consegue ser mais violento que o time do demo!!!! Ou então pr'aquela da diferença entre o "ladrão besta e o sabido" - ambas garantem desopilamento de fígado!

enviada por Ana Bolena



01/11/2003 22:55


Sobre uma vernissage

Sábado, 11 horas da matina. Isso lá é hora de abertura de exposição? Infelizmente, pro pessoal do CCBB era...
Só mesmo a vontade de ver boas obras de arte, tomar um prosecco e comer uns petit fours de graça (não necessariamente nesta ordem...) para me fazer levantar neste horário indecente. Dirigi-me ao regabofe ainda bocejando, sem criar muitas expectativas. Sabemos que a maioria das vernissages se resume a conversas vazias regadas a álcool.
Mas o dia até que me reservaria uma grata surpresa...
Foi assim que cruzei os portões: um baticum gostoso, hipnótico e ensurdecedor me conduziu ao interior do CCBB. Eram os músicos do evento, que já tinham iniciado sua performance. Acordei na hora. Subi correndo lá pro último andar para apreciá-los melhor. Fiquei embabascada. Imaginem uma sessão de jazz com berimbau, tambor, maracas, panelas e quetais. Era o que estava rolando nos três andares no prédio. O ritmo cadenciado e inebriante tomou conta do meu ser. Os músicos, de maneira cúmplice, encaravam tudo como uma grande brincadeira, os três riam e se empolgavam. E eu mais ainda, até então sem a ajuda do prosecco. Fiquei cerca de uma hora imersa em puro prazer estético, arrependidíssima por ter chegado atrasada.
Uma hora depois, quando acabou a sessão-transe e eu recuperei o senso de realidade, fui acometida pelo desejo de saber quem eram os músicos. Só que morri de vergonha de perguntar pros próprios. Fui me encontrar com uns monitores amigos à caça dessa preciosa informação. Infelizmente nem eles souberam responder, mesmo porque monitor é para explicar quadro e não para fazer tietagem. Droga. Teria que descer uns bons três lances de escada e ir perguntar lá na bilheteria.

Mas antes disso decidi pegar algo para comer.
Me despedi dos monitores e toquei pro segundo andar, que estava lotado, porque esses ratos de vernissage adoram ficar plantados na mesa dos salgadinhos, impressionante. Acho que nem sabiam de quem era a exposição...Bom, quem sou eu para falar mal deles? Àquela altura do campeonato eu também estava morrendo de fome. A ponto de virar sombra de garçom. (como sempre, os salgadinhos do CCBB estavam no ponto, preciso saber o nome do fornecedor... vai que eu resolva dar uma festa fina dia desses, não é mesmo?)

Só depois disso tudo é que eu fui - finalmente! - ver a exposição "Paisagens, paisagens, paisagens", com obras de Franz Krajberg, Eduardo Frota e Juliano de Moraes. O que eu poderia dizer destes artistas? Well... de Franz Krajberg afirmo que é o gênio da raça. O que ele faz com árvores é de encher os olhos. Esculturas lindas e harmoniosas surgem de troncos queimados, casas de cupim e raízes. Militante ferrenho a favor da ecologia, este artista denuncia a destruição das nossas matas usando como discurso a sua poética organizadora do caos - o material que ele utiliza vem de áreas queimadas, destruídas, e é desse inferno que são feitos os seus preciosos trabalhos.
Já Eduardo Frota me surpreendeu e maravilhou. Eu que só conhecia aqueles cones enormes da 25ª Bienal (que foram a melhor coisa daquela exposição, diga-se de passagem), acabei descobrindo que outras sensações igualmente impactantes são possíveis de se criar com seus círculos de madeira: grandes estruturas que se confundem com as paredes do CCBB que dão vontade de tocar, de abraçar, de deitar em cima. Belas e intrigantes aquelas esculturas serpenteando as salas, subindo e se enroscando pelas paredes, numa simbiose de madeira com concreto. A idéia foi muito, mas muito feliz. Pensei em roubar estas esculturas para pôr na minha casa, porque me lembraram Anish Kapoor, e eu amo Anish Kapoor.
Por último, no cofre do CCBB, acabei foi por me decepcionar com a obra de Juliano de Moraes. Só conseguia discernir que era algo muito feioso. A verdade é que naquele momento minha cabeça já estava cheia de prosecco, e isso me impediu de entender aquela sala - arte conceitual não combina com bebunzice. Além disso, estava temendo pela minha integridade física quando passei por aquele corredor cheio de graxa e grama. Eu precisava desesperadamente da ajuda de um monitor. Mas eles estavam bem longe dali, tomando prosecco talvez, que todo mundo é filho de Deus. Então, percorri novamente a sala, ainda em total ignorância, o que eu odeio fazer. Só pude deduzir que estas obras de Juliano de Moraes vão dar trabalho. O público, principalmente os adolescentes, adoram cometer umas "joselitagens" nesses ambientes com tinta fresca, terra, essas coisas. Imaginem a imundície. E como se não bastasse isso, a grama já fedia - e este é só o primeiro dia da exposição, que vai até janeiro...

***

São apenas quatorze obras - quantidade excelente para uma mostra. O espectador não se cansa, e o número reduzido favorece a contemplação cuidadosa. Foi uma delícia, valeu a pena acordar cedo. Vou voltar para ver com muito mais apuro, é claro, mesmo porque eu vivo no CCBB. E prometo que vou ler mais sobre Juliano de Moraes, porque é uma vergonha se lembrar do trabalho de alguém só pelo fedor da grama...

Exposição "Paisagens, paisagens, paisagens..." - Franz Krajberg, Eduardo Frota e Juliano Almeida
Centro Cultural Banco do Brasil - das 10 h às 21 h de terça a domingo


Ah, os músicos...continuo a não saber quem eram, já que o pessoal da bilheteria também não sabia... Mas o prosecco estava delicioso, era "Espumante Brut SALTON", em garrafas de 750ml.

enviada por Ana Bolena



26/10/2003 21:05
Os americanos são especialistas incontestes naquele tipo de livro onde tudo (mas tudo mesmo!) pode ser explicado em 10 lições. Isso não é uma crítica. Acho uma virtude se conseguir condensar o conhecimento humano em manuais para os iniciantes. A ciência e as humanidades assustam à primeira vista. Tente, por exemplo, ler a "Ilíada" sem a mínima informação sobre os personagens, sobre o contexto histórico, as infinitas maneiras pelas quais Homero denomina os gregos e os troianos, os nomes dos deuses e o que eles representam. É de chorar de desespero. Só restará a você recorrer ao primeiro livrinho que te propuser explicar Homero em 10 lições antes de reiniciar a empreitada...



Certa feita eu tive um site que dava dicas de livros de História da Arte. A missivista recomendava, com fervor, que o interessado começasse no assunto com o "História da Arte" do Gombrich (que não é americano, e sim inglês...). Este livro foi muito importante para mim, que já estava assistindo às aulas de especialização, mas não entendendo patavinas (Era como estar frequentando a segunda série sem ter passado pelo "Caminho Suave"). Mas o encorajamento que este grande professor nos dá logo no prefácio do livro me animou a continuar nos estudos. Esta obra-prima me deu os subsídios necessários para finalmente compreender esse assunto, do qual hoje sou devota apaixonada. E a prosseguir no curso sem esmorecer!

Como dica para os amigos que apreciam artes plásticas e desejam conhecer um pouco mais de sua história, gostaria de recomendar não só a obra de Gombrich (da qual prometo que falarei com mais vagar em outro post), como também outro livro curioso (dessa vez americano) chamado "Arte para Dummies". Menos abrangente que o Gombrich, "Arte para Dummies" tem o mérito de oferecer ao leitor dicas interessantes para conhecer a coleção de um museu, como por exemplo, observar com mais atenção justamente aquilo que não apreciamos, ou então ouvir música clássica enquanto passeamos por uma exposição. Além disso, o livro tem boas ilustrações e algumas curiosidades de conoisseur, já que o autor chegou a exercer o cargo de Diretor no Metropolitan Museum de NY, e esteve diretamente envolvido na aquisição de algumas obras-primas desta instituição. O seu defeito é entrar no espírito dos "10 mais" e listar "as dez maiores obras de arte da civilização ocidental", ou então "as dez definições sobre o que é arte", o que me parece simplesmente impossível, já que sabemos que esses critérios mudam com o passar dos anos e com o crivo da história.

Ficaram curiosos com o que Gombrich me disse no prefácio do seu grande livro? Então transcrevo para vocês, a título de estímulo. Quero arregimentar novos fiéis para essa "seita" chamada História da Arte, e nada melhor que as palavras de um verdadeiro guru!

"Destina-se este livro a todos os que sentem a necessidade de alguma orientação inicial num estranho e fascinante mundo. Pode servir para mostrar ao recém-chegado a situação geral da arte sem o confundir com detalhes; e para habilitá-lo a dar uma ordem inteligível à profusão de nomes, períodos e estilos que se congestionam nas páginas de obras mais ambiciosas, assim equipando-o para consultar livros mais abrangentes. Ao escrevê-lo pensei em primeiro lugar nos adolescentes que acabaram de descobrir por si mesmos o mundo da arte. Mas nunca acreditei que livros para jovens devam ser diferentes daqueles destinados a adultos, salvo pelo fato de terem que enfrentar a mais exigente classe de críticos - críticos que rapidamente desmascaram e se indignam com qualquer indício de jargão pretensioso ou sentimentalismo espúrio. Sei, por experiência própria, que esses vícios podem tornar a pessoa desconfiada de todos os livros sobre arte para o resto da vida. (...) Ao contar a história da arte mais uma vez em linguagem simples, ela deve capacitar o leitor a ver até que ponto é coesa e ajudá-lo em sua apreciação, não só pelas descrições empolgadas, mas fornecendo-lhe, outrossim, algumas indicações quanto às prováveis intenções do artista."

enviada por Ana Bolena



24/10/2003 22:48



Produto registrado no F.E.B.E.A.P.Á. sob o número 12345
Não aceitamos devoluções.
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Beba com moderação.




(dica do código de barras tirada do site No me digas tonterias, mujer! (blog francófilo, apesar do título. A missivista recomenda uma visita. Excelentes textos.).

enviada por Ana Bolena



24/10/2003 22:21
Paguei caro por minha língua ferina...
A reportagem desta semana na "Vejinha" chamada "Um sopro de renovação" fala justamente da recuperação do centro de São Paulo e dá destaque à Pinacoteca, à Sala São Paulo e ao Centro Cultural Banco do Brasil. Tudo bem, diante destas evidências, vou suavizar minhas críticas. São Paulo não é a cidade mais feia do mundo, mas é quase. E só vai sair dessa condição depois que demolirem o Minhocão. Aliás, eu voto e revoto em quem tomar essa iniciativa (ouviram, senhores candidatos?)

A reportagem evidencia um aspecto interessante da recuperação de áreas degradadas: quando se criam centros culturais - museus, cinemas, teatros - o entorno necessariamente se sofistica. A região da Luz é a maior prova disso. Somando-se a Pinacoteca, a Sala São Paulo e o DOPS (que agora é museu) com a estação e a praça renovados, podem apostar que a região, que hoje ainda abriga a "cracolândia", vai voltar a ser uma das mais chiques de Sampa.

É lógico que medidas segregacionistas imbecis como expulsar os mais pobres do centro sem lhes oferecer alternativas adequadas de moradia e transporte vão resultar em tragédia a longo prazo. O abandono e suas nefastas consequências migrarão para outras áreas com a mesma velocidade que se instalaram no centro. Espero que os próximos governos tenham a lucidez de pensar também neste aspecto importante das reformas urbanas.


Centro Cultural Banco do Brasil
Foto: Mário Rodrigues - Veja

enviada por Ana Bolena



19/10/2003 20:30
São Paulo é a cidade mais feia do mundo - imunda, cinza, sem estilo, sem charme. É praticamente irreconhecível. O seu centro histórico, que seria o orgulho de qualquer cidade civilizada, continua abandonado. E para aumentar ainda mais minha indisposição com esse lugar medonho, eu ainda tenho o "privilégio" de ver o Minhocão cortando a São João todos os dias...
(Por isso é que eu sempre digo: com tanta desgraça, o Maluf e a TFP só poderiam ter surgido nessa terra...)
Estou falando com conhecimento de causa: nasci, cresci e vivo nessa cidade do mal. Conheço a sua história, sei que um dia Sampa foi linda e habitável. E por saber que um dia vivíamos no paraíso é que muitos dos paulistanos tentam recuperar ao menos uma parte daqueles nossos dias de glória.
Uma das redentoras iniciativas nesse sentido foi a restauração da Pinacoteca do Estado. Hoje a Pinacoteca é a minha terceira casa (a segunda casa é o "Centro Cultural Banco do Brasil"...), e foi nela que eu passei este fim de semana. Foi como ir para o Mundo de Oz! O caos lá fora e eu lá dentro, rodeada de arte e beleza - no paraíso!
Sábado (ontem) fui visitar o acervo sem a mínima pressa, como deve ser. Li todos os painéis explicativos, cravei meu olhar nas obras que eu achava mais bonitas, acompanhei os monitores, sentei nos bancos para descansar e apreciar melhor os quadros maiores, tudo de forma zen. Arte requer concentração. E minha disciplina rendeu: as lindas e amplas salas da Pinacoteca ofereceram à "viajante" um passeio agradabilíssimo aos séculos 19 e 20 da História da Arte Brasileira.



"Leitura", de Almeida Júnior - Óleo sobre tela - 1892

E como esta atividade ocupou toda a minha tarde (mesmo porque eu faço anotações, perguntas, tomo um café, volto, vou a lojinha, gasto os tubos por lá, jogo uma conversa fora com os monitores etc, etc...), tive que voltar no domingo para apreciar uma das exposições mais bem-feitas que eu já tive o privilégio de visitar em toda a minha vida de tiete de museu: a mostra "Vistas do Brasil". Dessa vez acabei ficando com um áudio-guia para me dar maiores informações (e era muuuuita informação, mas bem organizada e compreensível) sobre os pintores-viajantes que retrataram nossas paisagens. Desenhos, aquarelas, quadros, livros e até uma sala que abrigava um extenso panorama em papel de parede contavam quais eram as motivações destes pintores e em que escolas e tendências artísticas eles teriam se baseado para criar as suas composições. Tive acesso também pela primeira vez a uma câmara escura, precursora da máquina fotográfica, e pude entender como é que muitos desses artistas conseguiam compor paisagens tão detalhadas através dessas geringonças.
"Vistas do Brasil" é uma mostra educativa e lúdica, que não apela para as tais "cenografias" para esconder as deficiências da curadoria. As obras bastam para maravilhar o espectador e conduzí-lo em seu aprendizado. É como nos ensina o professor Carlos Roberto Maciel Levy, "Com iluminação e disposição adequadas, as obras de arte já guardam em si o poder de encantar leigos e especialistas com suas notáveis qualidades. Elas possuem dignidade e atrativo simbólico suficientes para criar empatia com o público e proporcionar informação cultural."
Se compararmos este "Vistas do Brasil" com "aquilo" que estava na "Mostra do Redescobrimento" como sendo a sala dos artistas-viajantes, notamos que a concepção mostrada na Pinacoteca é infinitamente superior, inteligente e moderna. A Pinacoteca de São Paulo nos dá uma lição: museu não é circo, não é teatro, e não é com cenografia modernosa que o público passará a ir torrencialmente às exposições para aprender história da arte. O Edemar Cid Ferreira é que precisa aprender isso.

enviada por Ana Bolena



11/10/2003 00:45
Estou chateadíssima. Acaba de acabar "Mulheres Apaixonadas"... É o momento oportuno para confessar a vocês que eu acompanhava essa novela, e que eu a considero um primor da televisão brasileira... Arre! Que alívio! Dizer isso é como confessar um crime! Mas não me levem a mal, achando que eu perco meus dias em frente à TV assintindo passivamente a tudo que me enfiam goela abaixo. Gosto de TV, é claro, assim como eu gosto de bons livros, boas exposições, boas conversas. Gostar de novela não é uma incoerência da minha parte, e quem fez curso de comunicação sabe do valor de uma produção televisiva bem feita. Olhar crítico, eis o segredo. E que vale para tudo que achamos digno de atenção.
E, não nos esqueçamos, grandes livros da nossa literatura começaram como folhetins publicados capítulo a capítulo nos jornais de antanho. Os padres Pedro, as Dóris, as Helenas e Césares de antigamente são os personagens clássicos de hoje, que conhecemos e estudamos no colégio e nas faculdades. E com quem também nos envolvemos emocionalmente, assim como no folhetim de Manoel Carlos, que findou esta noite.
Se Manoel Carlos é um clássico? Sim, porque não haveria de ser?

PS: o grande poeta Manoel de Barros adora assistir "Chaves"! Ora, se ele pode gostar de tranqueira, porque eu, pobre mortal, não poderia?

enviada por Ana Bolena



28/09/2003 23:25
Gostei desse novo esquema do Blig. Agora eu posso deixar todos os textos na mesma página, prefiro assim.
Mas isso não adianta nada por hoje... estou sem inspiração para escrever algo digno, pois já é tarde, muito tarde. Amanhã meus carimbos me esperam (sou burocrata de profissão, não sei se vocês já haviam notado...), e isso me deixa meio deprê. Preciso de férias, preciso de tempo para ver todos os filmes que quero, preciso de tempo para passar o dia grudada no computador, procurando inspiração na Internet. O arrastar de meus dias suga toda criatividade que seria possível aflorar nestas mal-traçadas linhas.
Deixo então notas para os próximos posts, que serão confeccionados quando a missivista deixar de se lamentar sobre sua sina, arregaçar as mangas e começar a escrever algo que preste:

- sobre as animações da Pixar e sobre "Shrek"
- sobre o filme "Fui a Secretária de Hitler"
- sobre as exposições que acontecem na USP Maria Antônia
- sobre Françoise Hardy, a voz mais bonita do pop francês

E, para que este post tão fique estéril, deixo uma imagem do meu arquivo "copy and paste" de um dos meus quadros preferidos, cuja lista vocês podem conhecer acessando o "Perfil", clicando naquele bonequinho ridículo ali de cima.



"Maria Madalena à luz da lamparina" de Georges de La Tour

com os votos de uma boa noite a todos!

enviada por Ana Bolena



24/09/2003 22:34
Sobre a novíssima safra do cinema nacional

Quando eu prestei vestibular, lá pelo início dos anos 90, escolher o curso de cinema era pior do que escolher artes plásticas, filosofia ou história. Você poderia provocar um infarto nos seus pais com essa "nefasta" opção. Afinal, vocês sabem, pai e mãe pagam a escola da gente para que façamos as escolhas óbvias de sempre - medicina, direito, essas porcarias - e não para nos aposentarmos "mendingando dinheiro pra fazer filme", que é como eles vaticinavam o nosso futuro... (Fazer o quê? É a mentalidade classe-média-pequeno-burguesa ainda imperando em nossos lares...)
Bem, mas como eu ia dizendo, nos primórdios dos anos 90 cinema era realmente uma opção impensável porque simplesmente não havia produção cinematográfica em Pindorama. Collor, o execrável, havia acabado com a Embrafilme ainda há pouco. Que anos tristes aqueles! (lembra, Terta?)
Porém o que é ruim também dura pouco, e a maré começou a melhorar pro nosso lado em 1995, quando a Carla Camurati lançou "Carlota Joaquina". Milaaaaaaaagre! O cinema brasileiro renasce das cinzas! "Carlota Joaquina" foi um empurrão ladeira abaixo para os nossos cineastas! A partir daí, foi só alegria. A volta dos tempos gloriosos do cinema brasileiro passou a ser possível: Guilherme de Almeida Prado, "Matadores", "Kenoma", "O Judeu", "Festa", "Sábado", "Nós que aqui estamos por vós esperamos", "Central do Brasil"... Surgem filmes bons e outros nem tão bons assim, mas em quantidade cada vez maior, o que é excelente, já que é da quantidade que se garimpa a qualidade.
E eis que agora vivemos este momento único de grandes lançamentos, prêmios, de praticamente um filme nacional estreando por semana! Produções cada vez mais cuidadosas, dinheiro sendo investido na coisa. Criatividade, boas atuações, incentivo. Fico muito feliz em ver o cinema brasileiro fervilhando com boas idéias, em ver as pessoas fazendo fila para assistir nossos filmes, em ler as críticas dos jornais discutindo apaixonadamente sobre os lançamentos, em ouvir comentários e debates. E no meio do povo lá estou eu, com meu ingressinho na mão, sendo testemunha deste momento histórico da cultura nacional!

E para registrar minhas impressões da produção ultra-recente, destaco o vigoroso "Amarelo Manga" na categoria BBB: bom, bonito e barato! E permitam-me um comentário: decididamente, a câmera digital é a salvação da lavoura. Como eu havia comentado a respeito do filme "Dez" de Abas Kiarostami, a técnica digital barateia a produção e permite que o diretor tenha mais liberdade na concepção de suas histórias. Se der na veneta, o diretor pode filmar e editar sozinho, e rapidamente, sem intermediários. O filme fica com a cara do dono. As idéias se traduzem visualmente com mais eficiência. Bem, esta é apenas a minha opinião, tem gente que detesta cinema digital. Eu, não. Acho lindo. Tecnologia é lindo. Facilita a vida. Com todo o respeito à moviola, mas eu sou mais edição no computador. Mas a tecnologia não serviria de nada se não tivéssemos talento. E "Amarelo Manga" é filme de muito talento. Reúne enredo criativo e interpretações fortes, lembrando muito a produção dos anos 70, aquelas cheias de palavrões e mulher pelada. Só faltava o som tosco, mas desse mal já não sofremos mais, graças a Deus. Temos a Leona Cavalli, discípula de Zé Celso, queridinha do Paulo Autran, excelente atriz oriunda dos palcos paulistas. Corajosa, a moça. Temos também o Chico Dias e a Dira Paes, casal 20! Seus personagens são difíceis de se fazer, de moral dúbia, suas convicções acerca do amor e do modo como devem conduzir a vida são confusas. Mas os dois conseguem traduzir este conflito interior, em excelentes atuações (seus olhares e postura corporal dizem muito de suas angústias). E o Matheus Nachtergaele é "hors concours", nem vou falar do homem, que todo mundo já sabe que ele é bom. Jonas Bloch está correto em seu papel ingrato de, digamos, um ser nojento.
Nossos heróis transitam em um universo decadente, localizado especificamente na periferia de Recife. Todos procuram amor. Uns acham. Outros não. E eu não vou contar mais, porque quem não viu tem que ver. Ah, e não tem nada desse papo de “denúncia social”, “retrato da pobreza”, essas coisas do tempo do CPC, fique tranqüilo.

***

Ao contrário de muitos críticos, gostei imensamente de “O Homem do Ano” porque este é um filme profissional, tanto na caprichada produção como na atuação da maioria do elenco. O roteiro foi bem encadeado (trabalho de um dos meus escritores preferidos, Rubem Fonseca, baseado no livro "Matador" de Patrícia Melo), Murilo Benicio está muito bem na fita, e sobram louros também para a Natália Lage, que incorporou convincentemente a garota de subúrbio doidivana. Só a Cláudia Abreu que não merece meu elogio porque ela é uma atriz muito, mas muito canastrona. - reluto em assistir "O caminho das nuvens" por causa dela. Mas preciso ir, porque senão estaria sendo incoerente nesse meu discurso...
O Homem do Ano trata do círculo que se fecha em torno de Máiquel (esse nome é demais!) à medida em que ele se infiltra no mundo da corrupção e da bandidagem. O clima claustrofóbico se traduz nos cenários quase sempre fechados em que a trama se desenrola. Difícil ter uma externa, a não ser no início, nas execuções que Máiquel vez ou outra resolve fazer em um descampado e na cena final, que me remete, no espírito, ao desfecho de "Os Incompreendidos" de François Truffaut.
Preciso agora é ler o livro!

enviada por Ana Bolena



08/08/2003 18:35



enviada por Ana Bolena



07/08/2003 22:32


Sobre como adquirir Cultura Geral

A USP está maturando a criação de um curso de Humanidades, o que muito me interessou há uns meses atrás, quando tomei conhecimento do assunto. A magnitude do meu interesse fez com que eu passasse a alimentar idéias bizarras, como a de fazer cursinho, prestar vestibular novamente, demências assim. Só que o maldito curso é de período integral. Para filhinhos de papai que podem estudar em período integral. Então eu tive que enterrar o meu sonho de finalmente virar gente.
Sim, amigos. Virar gente. Porque um curso de Humanidades abrange tudo o que um ser humano deve saber para viver: Literatura, Filosofia, Artes Plásticas, História, Sociologia, Artes Visuais...
Não seria lindo se pudéssemos ser versados em todos estes campos do saber? Nossa vida não seria mais feliz? Eu acho que sim! Nossas conversas de bar seriam mais interessantes, nossas idas ao cinema seriam melhor aproveitadas, nossas análises da situação atual do nosso país fugiriam das obviedades e das palavras de ordem...enfim, eu acredito que o saber dá mais sentido às nossas vidas.
Eu gosto muito de erudição, adoro conversar com pessoas lidas e viajadas. Adoro conversar com vocês todos que visitam minha página. Gosto de saber o que vocês têm a me ensinar. Tenho curiosidade em saber quais as experiências, os livros, filmes, exposições e peças de teatro que marcaram suas vidas. Através de vocês todos, amantes das artes, eu tenho a oportunidade de conhecer facetas do mundo que me eram completamente desconhecidas, mas que agora, graças à Internet, também fazem parte do meu repertório e me enriquecem culturalmente. Enfim, resumindo, o que eu tenho mesmo é fetiche pelo conhecimento!

Mas já que a USP não me quer, contento-me a seguir o programa do livrinho "Leituras relacionadas à Cultura Geral", de Antonio Paim - Editora EXPED Expressão e Cultura - Coleção Páginas Amarelas (apenas R$1,00!!!).
O autor nos apresenta um método para sermos "cultos", isto é, um método para adquirirmos formação humanística (incluindo aí a familiaridade com a música clássica). O único requisito para a empreitada é o hábito e o gosto pela leitura.
Seguem-se muitas indicações de livros, semelhantes às que Harold Bloom apresenta no seu "O Cânone Ocidental".
Para começar, podemos encarar a leitura do poema épico "Gilgamesh" (Ed. Martins Fontes - R$19,80) - este é o primeiro de uma lista com mais de 200 livros. Aceitam o convite? Então vou pegar umas almofadas para a gente sentar...

enviada por Ana Bolena



06/08/2003 08:56

enviada por Ana Bolena



28/07/2003 23:55


Eu e as velhinhas da Paulista frequentamos o Cinearte. "Só dá nóis na fita". Nós amamos o Cinearte porque este maravilhoso cinema nos oferece o que há de melhor na decoração kitsch dos anos 70, com seu teto pintado de azul-calcinha, aquelas caixas de som revestidas de madeirite, uns apliques geométricos na parede estilo op-art, poltronas de vinil vermelho, jazz nos intervalos, pipoca honesta...mais retrô que isso, só o fato de não aceitarem cartão de crédito!
Mas eu e as velhinhas também apoiamos o Cinearte porque ele luta ferozmente contra os Cinemarks da vida. Chega de tranqueira, é o nosso lema! Chega de termos como opção apenas m... do tipo "Cruzeiro das Loucas", daquela pipoca fedorenta lambuzada de manteiga oferecida por aqueles atendentes robotizados, daquele comercial cretino que passa antes dos filmes, de pagar 14 paus para ver o que eu posso ver no Cinearte por 5!!!!!!!!! Chega de cinema de shopping!!!!!
Queremos, eu e as velhinhas, o cine Ipiranga e o Marabá de volta, assim como o Cinespacial, o Copan, e outros mais. Queremos ouvir Paul Mauriat nos intervalos e ver o Canal 100 nas aberturas. Só não queremos voltar a ver aquela ficha da censura antes dos filmes, é claro.

Eu e as velhinhas vimos no domingo o filme "Dez" de Abbas Kiarostami. Só posso dizer que o filme é dez, porque não consigo pensar em outra coisa a não ser neste trocadilho infame.

Os críticos disseram que "Dez" fala da opressão feminina no Irã...e eu perguntei para as velhinhas onde elas tinham visto opressão feminina no filme, e elas não souberam me responder. Os críticos viajam, elas me disseram. Eles acham que só porque o filme era iraniano, então necessariamente tinha que falar do regime xiita dos aiatolás e do quanto que a mulherada sofre por lá. É o mesmo que concluir que filme brasileiro necessariamente deve falar de pobreza porque somos um país pobre!
Para esta conclusão, é só fazer uma recapitulação das cenas: Alguma vez vocês chegaram a ver a motorista-protagonista do filme dizendo que foi espancada pelo ex-marido? Que foi proibida de se divorciar? De trabalhar? De ficar com o problemático do filho? Não, né? Nem eu! E reparem ainda: nem o véu a mulher põe direito na cabeça!!!! Reclama com tudo quanto é motorista néscio e - cúmulo para um país "xiita"! - chega até mesmo a dirigir pelas noites e a conversar com uma prostituta sobre aborto!!! Onde é que há opressão feminina aí? Não estou vendo nada parecido com aquela rigidez de costumes semelhante à que conhecemos do Afeganistão sob o Taliban, por exemplo. O que eu consigo vislumbrar é apenas o taliban da cabecinha dos nossos críticos, que se recusam a analisar um filme de forma coerente...
Eu e as velhinhas chegamos a conclusão de que "Dez" trata da condição feminina em uma visão universal. O enredo poderia acontecer em qualquer lugar deste planeta (e não apenas no Irã!), e é simplesmente o seguinte: mulher dá carona para meio-mundo e através dos diálogos ficamos sabendo que ela acabou de se divorciar, que é uma pessoa atarefada, bem-resolvida com relação aos homens, e que estaria precisando apenas de um pouco de tato para lidar com o filho-problema. Ponto. Simples assim. Mas como estamos falando de um filme de arte, sabemos que esta concepção básica compreende um filme estupendo, feito de diálogos inteligentes. Um filme para fazer pensar. Um milagre do cinema digital, que permite ao diretor fazer filmes-cabeça com orçamento pífio - atentem para os créditos: não duram nem um minuto!

Eu e as velhinhas recomendamos a vocês este bonito filme, de coração. E de preferência, dêem uma força para o Cinearte! Av. Paulista, no Conjunto Nacional, sessões às 14h, 15h50, 17h40, 19h30 e 21h20.

enviada por Ana Bolena



09/07/2003 01:16
Dicas de sites da missivista:

Cultura geral, atualidades, ensaios:

No mínimo: nominimo.ibest.com.br

Caderno de Resenhas da Folha de São Paulo: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/resenha/

Pensata: http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/

Revista Brasil de Cultura: http://www.revistabrasil.com.br/


enviada por Ana Bolena



07/07/2003 23:14


Brazucas amantes das artes: morram de inveja. Atentem para a programação do Louvre apenas para o mês de junho/2003. A lista é grande, mas resolvi postar este catatau todo só para mostrar o quanto nossos museus ainda precisam evoluir na área da arte-educação...

Visitas-Descoberta para adultos: Apresentação das obras mais celébres da coleção do museu. Horários: em francês, às 11 h 30 min, todos os dias - em inglês, às 11 h, 14 h e 15 h 45, todos os dias.

Visitas de uma coleção: Uma visão geral de um departamento, de uma coleção ou de um grupo de obras do museu.
Temas:
* Segundas às 11 h 30 - "As antiguidades orientais", às 14 h 30 - "O mobiliário de Luís XIII à Luís XVI".
* Quartas, às 11 h 30 - "A pintura flamenga primitiva", às 14 h 30 - "A pintura flamenga do século XVII".
* Quintas às 11 h 30 - "O Egito romano", às 14 h 30 - "O Egito copta".
* Sextas às 11 h 30 - "A pintura italiana do século XV", às 14 h 30 - "A pintura italiana do século XVI".
* Sábados às 11 h 30 - "A pintura italiana dos séculos XVII e XVIII", às 14 h 30 - "As artes primitivas".

Visitas Temáticas para adultos: Reflexão sobre um tema para o estudo das obras, dentro de um percurso transhistórico ou para esclarecer particularidades de um dado período.

* Segundas às 14 h 30 - "O estranho e o maravilhoso nas terras do Islã".
* Quartas às 14 h 30 - "A escrita egípcia antiga" e às 19 h 45 - "A representação da música na pintura italiana".
* Quintas às 14 h 30 - "O ciclo da Vida de Maria de Médicis por Rubens".
* Sextas às 14 h 30 - "Os "maios" de Notre-Dame, quadros dedicados à Virgem no século XVII"
* Sábados às 14 h 30 - "As mulheres retratadas nos séculos XVII ao XIX"

Temas de Segunda à noite:

* Segunda 02/06 às 19 h 45
"Roupas da Itália da Renascença" e "Obras da pintura francesa do século XIX"
* Segunda 16/06 às 19 h 45
"As pinturas espanholas do século de ouro e seus mecenas"
"A Grécia, de Alexandre o Grande à Cleopatra"
* Segunda 23/06 às 19 h 45
"A linha e a cor na pintura"
"Géricault e a história de um naufrágio"
* Segunda 30/06 às 19 h 45
"O retrato na Renascença"
"Análise científica e restauração dos objetos arqueológicos: alguns exemplos gregos e romanos"

Monografia de artistas: O estudo das obras de um pintor ou de um escultor apresentadas na coleção do museu.

* Segundas às 14 h 30 - David
* Quartas às 14 h 30 - Hans Memling, às 19 h - Chardin
* Quintas às 14 h 30 - Rembrandt
* Sextas às 14 h 30 - Pieter de Hooch

Uma hora-uma obra: Apresentação centrada sobre o estudo de uma obra.

* Segundas às 12 h 30 - O "Tríptico Braque" de Rogier Van der Weyden
* Quartas às 12 h 30 - As "Estátuas de Sekhmet"
* Quintas às 12 h 30 = A Vênus de Milo
* Sextas às 12 h 30 "La Nef des Fous" de Bosch

Visitas guiadas às exposições temporárias: visitas à exposição de desenhos de Leonardo da Vinci

Passeios arquiteturais: A visita, conduzida por um arquiteto ao ritmo de um passeio, com o intuito de compreender o Louvre por sua arquitetura e sua história; seu lugar no entorno urbano e sua inscrição dentro de um vasto espaço paisagístico.
Temas:
* O Jardim das Tulherias, gênese e restauração, 11 junho, das 18 h 30 à 20 h 30
* A arquitetura, o museu, a obra e o visitante, 4 junho, das 18 h 30 à 20 h 30
* Luz diurna e crepuscular: A Paris-Luz ao redor do Louvre, 18 junho de 18 h à 22 h

Ateliers:

1 - Cenografia e museu
2 - Construindo uma exposição
3 - Filmando a obra de arte
4 - O templo egípcio: ritos e arquitetura
5 - Iniciação à escrita hieroglífica
6 - Initiação à escrita cuneiforme
7- A mesquita
8 - Fauna e flora na arte islâmica
9 - Pinturas e volumes
10 - O desenho
11 - Uma exaltação da cor: o pastel
12 - Técnicas de pintura
13 - A arte do afresco
14 - Técnicas do mosaico
15 - Escultura: o espaço modelado

Ciclos aprofundados: olha, é muita coisa para listar...ciclos que abrangem todos os períodos da história da arte, pronto.


Arre! e o pior é que ainda tem mais: programação para crianças, para grupos, monitoria individualizada...
é lógico que eu não quero comparar a riqueza do acervo do Louvre com o que temos aqui. Mas no MASP, por exemplo, seria perfeitamente possível implantar aulas deste tipo, criando relações entre as obras, aproximando o público do trabalho dos artistas. Gente é o que não falta, temos monitores excelentes nos nossos museus. O que falta é o de sempre: $ e :) (dinheiro e vontade...)

enviada por Ana Bolena



01/07/2003 09:26
PESSOAS QUE DEVERIAM SER RESSUCITADAS - parte I

Deus me deu o dom de fazer pessoas voltarem à vida. Penso em quem deveria ser o primeiro a merecer este milagre (ou fardo, dependendo de como você encara o outro lado...), baseada em critérios que levam em conta a urgência e a necessidade de tal procedimento, e chego à conclusão de que o escolhido deve ser o Pietro Maria Bardi.



Eis o porquê: nos áureos tempos bardianos, entrar no MASP era atravessar os portões do Paraíso. Você se deparava com as obras-primas do museu suspensas nos míticos cavaletes de vidro da Lina Bo Bardi - Cézanne, Van Gogh, Rembrandt, todos os mestres pairavam no ar. Era revolucionário o modo como as obras eram dispostas. E sabem quanto se pagava por este privilégio nos últimos tempos do Bardi? DOIS REAIS!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! E o que vemos agora, após mais de dez anos de gestão Julio Neves ?
Ingressos a exorbitantes dez reais (a Pinacoteca oferece seu rico acervo por quatro, sendo sábados de graça...), uma reforma que não termina nunca - e que descaracterizou todo o projeto museológico dos fundadores, um pisozinho ridículo de shopping center (cadê as pedras goiás da Lina?), exposições caça-níqueis de qualidade duvidosa, ausência de mostras de cinema e de música clássica... Só sobraram os cursos de historia da arte, ainda ministrados por gente competentíssima (o nome MASP conta na hora de reunir tanta gente boa), mas de quê me adiantam? O preço deles está pela hora da morte!

Pobre Bardi... é provável que o homem viesse a ter um colapso nervoso se visse o MASP do jeito em que se encontra...capaz de não resistir ao choque e querer morrer de novo...ou então iria querer pixar a palavra "merda", e dessa vez no museu inteiro...

Pensando bem, acho melhor procurar outro para ressucitar. Conhecendo o temperamento do velho Bardi, meu milagre vai acabar é dando em confusão...

Post Scriptum: (vejam ainda do que é capaz a execrável gestão Julio Neves acessando: http://www.facom.ufba.br/labfoto/textos/financi.html)

enviada por Ana Bolena



27/06/2003 22:46
Ê, que beleza!
Muita gente visitando o espaço!
Vão se achegando, peguem uma cadeira, sirvam-se de vinho, e acessem os textos anteriores! Entrem pelos quartos e salas, vasculhem os corredores, sintam-se a vontade! E aproveitem para deixar uma mensagenzinha, que eu vou ficar muito feliz!

Agora me dêem licença que eu vou fazer um café.


enviada por Ana Bolena



14/06/2003 21:45



IRMÃÃÃÃÃOS!!!!!SÓ O CINEMA SALVA!!!! ALELUIA!!!

Eis o homem que amava as mulheres e o cinema: François Truffaut! O homem que poderia ter sucumbido à uma existência infeliz, mas que foi resgatado da marginalidade graças à sua paixão pela sétima arte!

Truffaut nunca soube quem era seu verdadeiro pai. Sua mãe era omissa ao extremo, criando o filho sem rédeas. O pequeno passava suas tardes cabulando aula e vagabundeando. Virou delinquente juvenil. E, para completar, uma denúncia às autoridades fez com ele fosse internado em uma casa de correção e passasse maus bocados por lá. Detalhe: a denúncia tinha partido do próprio padrasto...



Uma infância tão desastrosa merecia vingança do mesmo naipe, e esta veio em forma de filme: "Os Incompreendidos", grande vencedor do Festival de Cannes em 1959. Um soco no estômago dos seus pais, que obviamente se viram reconhecidos nos personagens. O constrangimento em escala nacional custou o rompimento familiar definitivo.



Mas não eram só as agruras da infância que mereciam registro em película: as decepções amorosas eram expurgadas por Truffaut da mesma forma. Depois de levar um fora homérico de Catherine Deneuve, o diretor entrou em depressão profunda. Observem que é essa mesma dor-de-corno que irá acometer o personagem de Fanny Ardant no filme "A mulher do lado"...

enviada por Ana Bolena



10/06/2003 21:51


"Quanto riso, oh, quanta alegria!" Estou saindo do meu inferno astral e aproveitando para fazer dezenas de programas interessantes e assistir a muitos filmes bons! Em Sampa temos a reestréia de "A Noite Americana", de François Truffaut, o cineasta que dirigiria o filme sobre a minha vida (se eu tivesse, é claro, uma vida digna de filme...)
Outro clássico que também volta à tela grande, para júbilo e regozijo da missivista, é "Roma", de Fellini, e suas cenas impactantes. Apenas uma delas: durante a construção do metrô de Roma, os engenheiros descobrem um ambiente do tempo dos césares nas profundezas da terra. São salões magníficos, cheios de pinturas nas paredes, como aquelas que a gente pode ver em Pompéia. Só que o oxigênio que entra no local vai apagando aquelas figuras nítidas, porque protegidas, e aqueles personagens misteriosos vão desaparecendo rapidamente diante dos olhos estupefatos de todos os privilegiados que puderam testemunhar aquele contato com o passado. Imagens raras que fariam a delícia de qualquer historiador, sumindo em segundos, sem que se pudesse fazer nada por elas!!!! Não sei de onde o Fellini tirou essa cena de horror, mas é bem provável que tenha sido baseado em uma história real.

enviada por Ana Bolena



21/04/2003 21:28


Dois motivos para se ver "O Desprezo", de Jean-Luc Godard (em cópia "restaurada", nos cinemas de Sampa): 1) O mais fútil, para ver a Brigite Bardot pelada. 2) O mais instigante, para apreciar um filme metalinguístico, tão literário quanto Godard costuma ser, e que complementa "Fellini 8/2" e "A Noite Americana".

Fui ler as críticas brazucas a respeito do filme. Para ver se poderia obter mais informações sobre Godard, sobre Alberto Moravia (o filme é uma adaptação de um livro deste autor), sobre os bastidores das filmagens, algo desse nível. Mas tudo o que li foi elogio à boa forma de Brigitte Bardot, de quão lamentável ela está hoje, de que ela era linda, de que o filme vale a pena por ela...Juro, meus amigos: quase chorei. Não por discordar dos críticos nesse quesito. Mas porque a futilidade os impediu, quase que na unanimidade, de escrever algo mais profundo sobre um filme importante da historiografia do cinema. Tudo bem que Godard abusou da nudez da moça, mas este, a meu ver, é um pecado menor. (Aliás, já notaram como todas as mulheres são jovens e belas no mundo verborrágico de Godard?)

Godard, em "O Desprezo", se destaca pela sua visão crítica a respeito dos bastidores da indústria cinematográfica, de suas observações sobre o amor, de seu "desprezo" pela futilidade dos americanos (o que podemos também observar em "Elogio ao Amor", seu filme mais recente, nas melhores locadoras), as citações eruditas de Fritz Lang (que faz uma participação especialíssima)... Enfim, havia tanto a se discutir sobre este filme tão belo, e tão pouco se extrai das críticas dos principais jornalistas deste país! Credo!
Minha única esperança é a Internet. Vou fuçar em alguns sites sobre cinema, quem sabe eu ainda consiga achar algo que preste sobre este filme...

enviada por Ana Bolena



13/04/2003 22:42
Será que agora consigo atualizar semanalmente minhas mensagens e fazer com que isso aqui fique com cara de blog ?

Primeiramente, agradeço muito os elogios que recebi pelos posts anteriores. Sei que os visitantes são poucos, já que a novidade por aqui é escassa. Mas minhas esperanças não cessam. Um dia terei um computador só meu!!!!!!!!! (Quem trabalha com computador dos outros sabe que a inspiração nem sempre coincide com a oportunidade...)

Segundamente, seguem algumas impressões sobre "O Pianista", filme que fez a missivista chorar e refletir e querer comprar o livro e entender melhor o que foi, afinal, essa época de insanidade institucionalizada que foi a 2ª guerra e o nazismo.
A preparação para "O Pianista" se deu quando vi a festa do Oscar e o discurso emocionado do ator Adrien Brody. (Esse homem mereceu o prêmio, pensei. Não preciso nem ver o filme...)
Depois, no domingo passado, calhou de passar o documentário "Leni Riefensthal, a Deusa Imperfeita" na TV paga.



Mulher de história interessante: seus críticos a tacharam de nazista, e ponto final - significa que seu trabalho deixou de ser digno de respeito e de análises mais aprofundadas durante décadas a fio. O documentário me fez constatar que Leni, embora amiga de Hitler, foi, na verdade, uma cineasta primorosa. Porém, ao final da 2ª Guerra, tiraram as câmeras de suas mãos talentosas. Muitos anos se passaram até que ela expurgasse seus pecados pela escolha política infeliz e voltasse a filmar e a nos brindar com belas imagens, agora de tribos africanas.

E aí voltaram a associar as suas imagens de guerreiros africanos com a estética nazista.

E aí ela voltou à reclusão.

E aí, aos 101 anos, ela volta a nos maravilhar com imagens do fundo do mar.

E aí voltam a associar as suas imagens de polvos, algas, esponjas e peixinhos com a estética nazista... Ah, pelamor de Deus! Deixem a centenária trabalhar! Ela já pagou pelo erro da sua alienação. E, ao que eu saiba, ela nunca se declarou anti-semita ou coisa que o valha. Leni era uma cineasta alemã genial. Politicamente ingênua, mas conhecedora do ofício de bem filmar (estamos falando de cinema em sua essência, em um discurso criado com registro de imagem e montagem). Críticas fundamentalistas relegam o seu talentoso trabalho para o limbo da história - "Foi a cineasta preferida de Hitler? Xi, então o filme dessa mulher não presta!" - E idéias como essas vêm de pessoas que deveriam ter a mente aberta e livre de preconceitos, o que me decepciona deveras!

***

Quarta-Feira, dia de meia-entrada, fui então conferir a história real do pianista judeu que escapa milagrosamente de ser mandado para o campo de concentração e de morrer fuzilado na Polônia ocupada pelos nazis. Gostei muito do filme, porque o outro merecedor-de-oscar Roman Polanski não resvalou na pieguice. O que não era preciso, já que a brutal realidade desses eventos não requer artifícios baratos para nos comover. Além do acerto do diretor, teve o desempenho de Adrien Brody, que é, comprovadamente, um excelente ator. Agora, quando leio sobre judeus na 2ª Guerra, vejo Adrien Brody personificando todos eles, assim como Anne Frank me personifica todas as meninas judias. O homem realmente me causou impacto!
Mas o filme não saiu incólume do meu crivo - não pude aprovar um aspecto, que me pareceu extremamente contraditório: os alemães "do mal", os que ridicularizam, maltratam e matam os judeus, têm desvios morais (ou bebem ou são extremamente boçais) e são representados por atores "feios". Já o capitão que "salva" o pianista de morrer de fome é o ariano bonito com que todo Hitler gostaria de povoar a terra. Voltei à Leni Riefensthal e sua obsessão pelo belo. A associação beleza = virtude da estética nazi. E constatei: não é que Roman Polanski caiu na mesma armadilha de Hitler ?!

Para que eu pudesse chegar a esta conclusão, revi filmes afins: "Arquitetura da Destruição" e "Moloch".

E gostaria de receber sugestões de leitura sobre o assunto ou críticas discordantes, que serão muito bem vindas!

enviada por Ana Bolena



04/03/2003 14:29
Os chineses do Ibirapuera ficam para uma próxima. A fila estava gigantesca... É que paulista é ferro: devia descer todo mundo pro litoral e deixar a cidade em paz por uns tempos. Mas não. Uma renca insiste em atrapalhar meus planos carnavalescos. Vou ter que pagar uma nota pelo ingresso para poder ver os tais soldados de terracota, o que muito me entristece. É que eu estou passando por uma fase ruim, tendo que escolher onde assistir filme com preço mais barato, onde as coisas são de graça, porque senão não dá nem para sair de casa. Só que há ocasiões em que se tem que fazer um certo sacrifício para usufruir de uma oportunidade privilegiada. E ver os soldados de terracota, por exemplo, é uma destas oportunidades. Quem viu "O último Imperador" uma dezena de vezes como eu, prestando atenção na cena da coroação e na roupagem dos membros da corte, há de concordar comigo.

No clássico de história da arte de E. Gombrich, há um capítulo sobre os guerreiros de terracota e o acaso feliz da sua descoberta. A foto dos rostos dos guerreiros que aparece neste livro é o melhor convite para que se queira encará-los e descobrir um pouco mais sobre a sua história (bizarríssima!).

E um adendo oportuno: Porque é que sabemos tão pouco sobre arte chinesa e japonesa??????????????????????

***

Acabei de rever "Barry Lyndon" na TVA. Não entendo porquê acham este filme chato. São três horas de pura pintura - cada enquadramento é uma obra-prima. Aqueles descampados ingleses são um deleite para minhas retinas tão fatigadas em morar numa cidade tão feia como São Paulo. A história é envolvente, Brian O'Neil é um ator muito bonito, tem música clássica de fundo, o filme retrata o modo de vida aristocrático das cortes européias...
Só posso concluir que as pessoas estão perdendo a capacidade de se deixarem maravilhar, estão perdendo a paciência com a contemplação, o que é um pena.

enviada por Ana Bolena



01/03/2003 23:03


Meu carnaval está sendo um verdadeiro retiro espiritual. Enclausurada. No cinema e nos museus de Sampa...
Neste feriadão deu para encarar em seqüência "As horas", "Arca Russa" e "Esperando o Messias", assim como a exposição "Da Antropofagia a Brasília", na FAAP. Amanhã será a vez dos franceses "Amores Parisienses" e "Quem sabe?", e a exposição dos chineses no Ibirapuera por apenas R$1!!!!!! Isso sim que é carnaval, minha gente! Só na esbórnia!

enviada por Ana Bolena



21/02/2003 22:13

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COMENTÁRIOS SOBRE FILMES - PARTE II

"Festa de Família" foi o filme mais angustiante da minha vida: a história é extremamente repulsiva, e enquanto ela se desenvolve, os embrulhos do seu estômago só fazem piorar. Quando você acha que tudo de mais sórdido já aconteceu com aquele pitoresco clã, o filho do patriarca não perdôa e faz revelações ainda piores. O que não dá para acreditar é que a porcaria da festa tem continuidade,
ultrapassando o cúmulo do constrangimento, mesmo com tantas revelações bombásticas, que surgem em um crescendo sem fim. E como o filme parece um VHS caseiro, a impressão que se tem é que você é mais um convidado daquela deprimente festa-mico, e fica desesperado (realmente!) para sair de lá a todo custo. Quer encarar? Eu recomendo, convicta de que estamos diante de uma obra-prima do cinema recente. Poucos recursos para muita emoção.

***

Odiei "Paraíso". Cate Blanchet é linda, excelente atriz, e eu assisti este filme por causa dela. Minto. Foi também pelas paisagens da Itália, maravilhas que merecem toda a nossa contemplação e inveja. Mas a história por trás disso tudo não tem a mínima coerência. O talento desta valorosa atriz foi desperdiçado em uma fita maluca disfarçada de filme de arte. Certamente o Kieslowski teria dado uma aparada no roteiro antes de filmar essa bomba.

***

"Ligações Perigosas" é bom, e tal. Figurino bonito, algumas excelentes atuações...mas eu acho que a tradução cinematográfica
mais adequada deste livro é a versão do diretor Milos Forman, "Valmont - Uma história de Seduções", que passa de vez em quando no Eurochannel (TVA). Primeiro, porque se entende melhor o que ensejou a aposta que o Visconde de Valmont faz com a Marquesa de Merteuil. Segundo, porque não tem o John Malkovitch forçando para fazer aquela cara de sedutor barato, com aquele seu característico biquinho ridículo. E terceiro, porque no filme de Forman os atores são perfeitos para os papéis: a Cecile TEM cara de menininha-de-quinze-anos-recém-saída-de-convento (desculpe, mas a varapau da Uma Thurman fazendo papel de adolescente ingênua não me convence), a Marquesa e o Visconde são atores realmente bonitos e aristocráticos, os cenários são melhor aproveitados, o drama de amor da Madame de Tourvel é mais pungente e o humor que há por trás de uma história tão calhorda foi ressaltado pelo diretor e pelos atores. Essa versão é um dos meus filmes preferidos, e foi a que realmente despertou minha vontade de ler o livro (o que também recomendo a todos).

***

"O Gosto dos Outros" é um show de bola. Aquela reunião de gente intelectualóide metida a besta (cujos exemplares você pode encontrar no Espaço Unibanco de Cinema ou na Fefeleche, por exemplo) é um retrato fiel da boçalidade desta categoria de pessoas que se acham superiores e escolhidos por Deus porque leram tais livros ou viram tais filmes e se vestem de maneira "muderna". Aquele tipo de gente que adora conversar em voz alta que conhece fulano, que viu a peça de sicrano, que mostra intimidade com coisas
que ficou sabendo apenas pelo caderno cultural do jornal. Daí você resolve conhecer melhor o sujeito e seus argumentos não se sustentam com cinco minutos de conversa. Eis um bom filme para derrubar os nossos preconceitos com relação às pessoas que frequentam o nosso círculo de amizades.

enviada por Ana Bolena



25/01/2003 15:56
Arte e cultura são necessidades básicas - todo mundo tem o direito de ver e apreciar coisas bonitas, inteligentes e intrigantes (ou, como dizem os Titãs, "A gente não quer só comida, a gente quer bebida, diversão e arte!"). Ainda bem que as melhores exposições daqui de São Paulo tem entrada gratuita. Portanto, não há desculpa para a falta do que fazer. Nada contra televisão (aliás, sou formada em Rádio e Televisão, sei que tem muitos programas bons no ar - inclusive sobre arte!). Só que eu prefiro passar meu tempo curtindo uma exposição bem feita, prestigiando nossas instituições culturais, conversando sobre arte e novas tendências, com o pessoal que também é ligado nestas coisas. É assim que eu passo a maioria dos meus finais de semana. E eu garanto: é uma delícia!
Quando a gente começa a adquirir acuidade visual através da História da Arte, é incrível como a gente passa, por exemplo, a se vestir melhor, a decorar a casa de maneira mais sensata, a ver beleza e desafio ao olhar em coisas que não prestávamos a mínima atenção. O mundo se reorganiza.

Post Scriptum: Aproveito o ensejo para dar meus parabéns a São Paulo neste dia do seu 449º aniversário e fazer uma singela homenagem a essa cidadezinha feia que dói, mas onde eu posso achar um monte de coisas interessantes para fazer!

enviada por Ana Bolena



19/01/2003 20:45
Eis o dia perfeito: o sol resplandece, eu caminho até a Pinacoteca, tomo um café da manhã vendo o Parque da Luz restaurado, volto à Pinacoteca e me delicio com as estátuas de Aleijadinho e Mestre Piranga (as obras são atribuídas a eles, não se tem 100% de certeza da autoria. Mas são lindas, e pronto.). Depois, pego uma filinha para ver os quadros de Albert Eckhout, cujo sacrifício para serem trazidas para a nossa terrinha já valeria umas três horas de fila, e passo uma tarde memorável. E o que é mais importante: DE GRAÇA! (Menos o cafezinho, claro).

enviada por Ana Bolena



15/01/2003 22:14
Sugestões de sites:

Sobre História da Arte em geral:
http://www.pinturauniversal.hpg.ig.com.br/index.htm
Sobre História da Arte Brasileira:
http://www.pinturabrasileira.hpg.ig.com.br/

enviada por Ana Bolena



15/01/2003 21:16
O triste de ter acesso aos estudos mais recentes sobre arte brasileira é descobrir que, por exemplo, Portinari não é tuuuuuuuuuuuuudo isso que a gente pensa que ele é. Ou que Monteiro Lobato teve suas (boas) razões para meter o pau na Anita Malfatti. Você tristemente percebe que seus pintores preferidos não são os "monstros sagrados" que pareciam ser.

Isso me faz lembrar da adolescência. Odiava quando me diziam que a música que eu escutava era lixo. Eu argumentava com os meus algozes que a "impren$a e$pecializada" elogiava muití$$imo minhas bandas favoritas e que era possível, sim, achar alta poesia naquelas letras óbvias e melodias de três acordes de sempre. Até que finalmente me provavam o quão medíocre era o meu gosto musical... Mas tudo bem, essa fase de idolatria cega já passou. Eu continuo achando lindas as letras óbvias e as melodias de três acordes de sempre das minhas bandas favoritas. Só que agora conheço um pouco mais de música e, ao menos, sei que muito do que eu escuto não é coisa de gênio...

Portanto, pagar mico em galeria de arte é a coisa mais normal. Você chega lá e acha o trabalho do artista o must, diz pro fulano que ele vai estourar, que as pinturas dele são lindas, originais e tal. Vira fã incondicional. E as chamadas "revistas de arte" estão lá, corroborando as suas assertivas a respeito do sujeito. Daí, uns dias depois, você folheia um livro de história da arte e...bem, o trabalho do cara FOI must...uns dez anos atrás, e produzido por um outro artista que não aquele que você viu na galeria, claro.
(Agora me diga: e o dinheiro para você ficar comprando catálogos atualizados de arte contemporânea????? Só mesmo deixando de comprar CD de música medíocre...)

P.S.: Isso aí que eu falei do Portinari e da Anita Malfatti não é heresia, prometo me explicar em outro post. E mesmo que metam o pau neles, eu vou continuar adorando os seus quadros.

enviada por Ana Bolena



01/01/2003 19:52
Os fogos de Ano-Novo ainda ressoam nos meus pobres ouvidos. O fígado está fazendo um esforço descomunal para processar a Cidra que eu mandei ver ontem à noite. É dessa maneira deplorável que eu saúdo 2003...mas desejando um excelente ano para todos!!!!!
enviada por Ana Bolena



30/12/2002 15:58
Nossa, foi um sacrifício escolher um template para este blog! Os modelos do IG conseguem ser um pior do que o outro...Pôxa, queria tanto acrescentar umas sugestões de sites, de outros blogs, ilustrações, frases, tipos diferentes de letra...tô precisando de um curso de computação urgente!



enviada por Ana Bolena



30/12/2002 15:53
Promessas de fim de ano:

Ao som de "Gingobel", faço minha listinha de promessas para 2003...

* Bem, em primeiro lugar, prometo atualizar constantemente este blog, que é muito legal de se fazer, mas exige uma certa inspiração, coisa que a rotina e a burocracia dos meus dias costumam impedir de aparecer.
* Prometo voltar pro meu curso de História da Arte e decorar todos aqueles nomes de pintores...
* Prometo visitar mais galerias (principalmente nas vernissages, para ficar em dia com os lançamentos de vinhos...)
* Prometo que eu vou rever "Cidadão Kane", o filme mais chato da história, com outros olhos (afinal, disseram que ele é o clássico dos clássicos...então, quem sou eu para discordar?!)
* Prometo ver todas as óperas que aparecerem em São Paulo (se não forem muito caras...). Olhaí, uma paixão que descobri este ano: acompanhar uma ópera. Histórias rocambolescas, dignas de novelão mexicano, que se tornam sublimes graças aos vozeirões deliciosos dos atores. E acrescente um Plácido Domingo bem canastrão, e você é capaz de passar seu sábado a noite na frente da TV vendo uma ópera de três horas de duração!
* Prometo criar um fã-clube da crítica Pauline Kael. Ela é tudo!


enviada por Ana Bolena



15/11/2002 15:52
Londres: A cidade é cara. Mas ao menos os museus são de graça!!! Além disso, como não gostar de uma cidade onde nas embalagens dos sanduíches do Mc Donalds vc lê: POR FAVOR, acesse o nosso site... ou pega o metrô e ouve no alto-falante: POR FAVOR, cuidado com o vão? Onde mais no mundo se encontra povo tão civilizado???????????????

enviada por Ana Bolena



12/11/2002 15:26
Compreendo a rejeição do público à arte contemporânea. Excluímos aquilo que não entendemos, que não nos é familiar. E a arte contemporânea foi pródiga em afastar o público com propostas que apenas os iniciados decifram. Mas creio que não seja adequada a atidude xiita de um público que não quer entender o que está à sua frente, que não se pergunta sobre a intenção do artista, que não vasculha um pouco a história da arte e a crítica especializada em busca de respostas, e simplesmente dá um veredicto fatal (veja o post anterior). Com essa atitude, não estamos estimulando as discussões a respeito do papel da arte na nossa sociedade e deixando o bonde da história passar. Estamos inseridos no contexto da arte contemporânea, a história ainda não fez o seu trabalho de depuração. É claro que vamos engolir muitos sapos, muitos artistas sem mérito surgirão na nossa frente. É um trabalho hercúleo o que nos espera! Fuçar as galerias, conversar com professores, especialistas, artistas, formular seu próprio pensamento crítico. O bom é que o futuro recompensa nossas escolhas quando elas são confirmadas pela história. E nosso olhar, a essa altura, já é bastante acurado. Seremos forçados a concluir: A arte não morreu, como muitos dizem. Há muito tempo que os artistas trabalham com milhares de outras coisas que não sejam tela e óleo, já é hora de mudarmos nossa concepção do que seja "arte".

enviada por Ana Bolena



11/11/2002 23:36
Quer me irritar? Então me acompanhe em uma exposição de arte contemporânea e diga em tom jocoso, diante das obras, a seguinte frase:
- Que porcaria !!! Você chama isso de arte??? Isso até eu faço!


"Isso até eu faço"...Esta é a resposta típica de quem não segue o andar da carruagem, de quem não está antenado com as propostas atuais, de quem, no fundo, não compraria um quadro do Picasso se não pudesse identificar o autor (isto é, ainda não digeriu nem a arte moderna, que dirá a pós-moderna).
Mas se meu acompanhante não gosta do que vê e resolve fazer um comentário como este:- Não consigo vislumbrar nenhuma idéia instigante nesta obra, perceberei que ele estará sendo verdadeiramente crítico, e aí sim, me disponho a iniciar uma conversa a respeito, curiosa para saber quais os critérios do sujeito para aprovar ou desaprovar uma obra de arte.
Diante dessa situação, você dirá: - Que elitista! Ninguém, afinal, entende as propostas contemporâneas! Tudo é tão aleatório, não há critério algum por trás da grande maioria das obras de arte que vemos nas bienais e nas galerias! Quer dizer então que devemos fingir que gostamos daqueles rabiscos para não passarmos por idiotas ?
Mas quantos de nós visitam toda semana as galerias de arte? Conhecem o trabalho de artistas contemporâneos? Observam com atenção as instalações da Bienal? Compram revistas especializadas, procuram sobre o assunto na Internet? Confesso que ainda não sou uma dessas pessoas, e poucas são.
Por isso mesmo é que eu não me atrevo a dizer que "até eu teria aquela idéia", "até eu faria aquelas manchas na tela", "até eu faria essa instalação"... São observações que nada acrescentam. Ridicularizamos o artista para disfarçar a nossa ignorância. Disfarcemos então nossa ignorância nos abrindo para o diálogo com a obra de arte. E se depois de ouvir várias opiniões, observar com atenção o trabalho do artista comparando-o com o de seus contemporâneos e ler a respeito do seu processo de criação ainda não estivermos convencidos da qualidade do que vemos, teremos enfim cacife para dizer "Esta é uma obra que não conseguiu atingir sua proposta" ou "o artista não conseguiu traduzir o que desejava expressar inicialmente", ou ainda, "este trabalho não me parece sustentado por uma idéia forte, inovadora", "o artista não domina o uso dos materiais que empregou", "isso é um verdadeiro embuste", ou milhões de outras opiniões muito mais sólidas (eis que devidamente sustentadas na razoabilidade) do que apenas o boçal "isso até eu faço".
Não consigo tolerar esse tipo de atitude porque tenho respeito pelo trabalho alheio. E porque há outras coisas mais interessantes pelas quais uma pesssoa pode se gabar do que a sua própria estupidez.

enviada por Ana Bolena



05/11/2002 16:43
À população que lê este blog e que conhece as manhas: como é que eu faço para listar blogs amigos que não sejam do IG no espaço aí ao lado ??????
enviada por Ana Bolena